Banzo (saudade- portuges)
É a distância em ti mesmo
E te dói
Tua mãe sentada na porta da tarde
Esperando o teu retorno diário
Tranqüilamente
Envelhecendo como madeira
É a parede de barro da tua casa natal
Que vem abaixo irremediavelmente
De pouco cada dia
E te dói
É tristeza que perfuma tua carne de lua na noite
Cheia de teus olhos insetos e florzinhas
Que se perdem na sua transparência
Essa árvore da tua infância
Que o vento derrubou na tormenta
É como uma branca camisa delgada
Gasta e limpa
Bem passada
que não sabe quem te deu e nem menos quando
que não sabe come tirá-la
e apesar que a ames
te dói
É dor de um beijo não dado
De amante morto
A presença de um filho ausente
É palavra que se seca na boca
Ausência de torrentes em rios cegos
Perder os dentes
Embranquecer os cabelos diante do espelho
Afundar o tempo na carne
Deixar de ser
Esquecer a direção postal de quem não ousa
Envelhecer
É a cama preparada para ti
A que nunca ocupastes
Esse olhar que te envolveu para sempre
Os sapatos abandonados no armário
A roupa da infância
A canção que não te diz nada porém quando cantas
Te dói
É nostalgia como uma ponta afiada de fio no gelo
Que apazigua teu sangue no seu corte
Uma canseira de cada noite
A caminhada por entre árvores nuas
Aroma de terra
Chuva ocorrida no passado
A mesa despojada
E café frio
Os lençóis estendidos ao vento nas tardes de limpeza
Depois do amor
Gotejando
O silêncio que te acompanha
E te dói
(a Marco Aurelio Fernandes- marzo del 2000)
Traducción de Humberto Feriato


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